segunda-feira, 10 de agosto de 2015

(1) INTRODUÇÁO, ÍNDICE (do livro Cognitivismo Semântico)

Draft F (2015)




COGNITIVISMO SEMÂNTICO


                                                       


Simplex sigillum verum.


  


Draft

  
INTRODUÇÃO


Não estaria a filosofia da linguagem da primeira metade do século XX, com o seu desgastado princípio da verificabilidade, com as suas toscas teorias descritivistas e internalistas dos nomes próprios e expressões conceituais, com a sua ingênua divisão monolítica entre o necessário a priori (expresso em proposições analíticas) e o contingente a posteriori (expresso em proposições sintéticas), mais próxima da verdade do que a hoje imperante ortodoxia causal-externalista?
   Esse livro foi escrito sob a convicção de que essa pergunta deve ser respondida em afirmativo. Não desejo com isso negar a importância filosófica da nova ortodoxia causal-externalista, mesmo porque os desenvolvimentos aqui sugeridos não seriam possíveis sem ela. Quero sugerir apenas que essa importância deva ser predominantemente negativa. Ela consiste em boa parte na proposta de desafios dialeticamente úteis, que se adequadamente respondidos servirão para enriquecer a velha ortodoxia cognitivista-internalista com elaborações mais convincentes.
   O propósito do presente livro é o de oferecer uma contribuição preliminar na direção indicada. Nele é esboçada uma defesa sistemática de uma concepção puramente internalista, cognitivista e neodescritivista do significado e dos mecanismos de referência. A assunção que torna essa defesa recomendável é a de que o significado, o conteúdo semântico da linguagem representacional, não parece poder constituir-se de outra coisa senão de regras, de convenções ou combinações de convenções semântico-cognitivas (mesmo que seu domínio seja geralmente irreflexivo ou tácito), em geral exprimíveis através de descrições, uma ideia venerável desde que Platão primeiro a sugeriu em seu diálogo Crátilo. Meu objetivo nos capítulos que se seguem consiste em explicitar essas regras em algumas expressões referenciais mais importantes, que são os nomes próprios, os termos gerais e as sentenças assertivas. Antes disso, porém, procedi a uma releitura crítica da semântica fregeana na qual os sentidos foram interpretados como regras semânticas que só existem enquanto cognitivamente instanciadas. Embora não passe de um esboço, essa releitura serve para expor a moldura conceitual mais ampla no interior da qual meus próprios questionamentos posteriores se orientam.
     Quanto à minha abordagem das questões, ela também é algo diversa daquela usada nas teorias causal-externalistas, cuja inspiração primeira é logicista. Ela é primariamente inspirada pela dimensão sócio-pragmática da linguagem (a diferença relembra a antiga distinção feita entre filosofia da linguagem ideal e filosofia da linguagem ordinária respectivamente). Parto, pois, geralmente, da inserção da linguagem na forma de vida, e assim do senso comum e da linguagem ordinária, buscando frequentemente apoio no exame dos exemplos concretos de aplicação das expressões – um método que Avrum Stroll chamou de “filosofar por exemplos”, cuja inspiração é wittgensteiniana. Além disso, a abordagem é sistemática. Daí que embora os capítulos possam ser separadamente lidos, eles são interconectados de tal modo que a plausibilidade de cada um deles se deixa melhor sustentar pelo seu conjunto.
     Parte do material aqui apresentado é uma elaboração de artigos originariamente publicados nas revistas Dissertatio e Princípios. Gostaria de agradecer aos editores dessas revistas pela permissão de republicação. Agradeço também ao apoio do CNPq através de bolsas de pesquisa individuais sobre teorias da referência no período de 2009 a 2014. Finalmente, gostaria de agradecer calorosamente ao professor (a concluir...). Naturalmente, a responsabilidade pelas ideias aqui expressas é toda minha.














SUMÁRIO


Introdução

  1. Sentidos fregeanos como regras

  1. Reabilitando o verificacionismo

  1. Identidades kripkianas

  1. Como nomes próprios realmente referem

  1. Neodescritivismo sobre o conceito de água




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