quarta-feira, 9 de maio de 2012

NÃO SEI NADA DE POLÍTICA (1)

Minhas pobres opiniões políticas tem variado como um pêndulo. É de dar dor de cabeça. E ainda acho o assunto insignificante. Mas como creio haver uma unidade oculta, aqui vai:



NÃO DEIXE A MÍDIA FAZER SUA CABEÇA! (2010)

Confesso que por muitos anos vivi politicamente alienado. Como não tenho televisão nem leio jornais, achei que poderia me fiar na revista Veja, que na década de 70 sob a direção de Mino Carta foi uma boa revista. Por preconceito e completo desconhecimento achei que Lula fosse um incompetente e não FHC. Mas mudei radicalmente de opinião ao assistir com atenção os muitos vídeos sobre a política brasileira no Youtube - essa inesgotável fonte de cultura onde você pode escolher e comparar fontes de informação. Agora acredito que nos últimos dez anos temos presenciado uma pequena revolução sócio-política na América Latina. Uma transformação através da qual – para desagrado das elites – a grande maioria da população tem conseguido um começo de libertação, através da eleição democrática de líderes que realmente a representam, de profundas distorções sócio-culturais deixadas por centenas de anos de colonialismo.
     Agora as escamas cairam-me outra vez dos olhos. Foram as dezenas de entrevistas e conferências de Noam Chomsky sobre política internacional. Ler dá preguiça, mas ouvir dá pro gasto. O que ele nos traz é uma versão renovada da tese da indústria cultural da escola de Frankfurt – idéias exploradas originariamente nos ensaios de Marx sobre a alienação.
     A idéia básica é a seguinte. O capitalismo é um sistema intrinsecamente injusto, pois divide a riqueza de forma absurdamente desigual. Além disso, ele privilegia valores imorais ao instaurar um perverso sistema de competição que premia a ganância... Se o resultado fosse apenas esse, não seria de tanta gravidade. O problema maior nasce do fato de que as elites do dinheiro são também as elites do poder. E no capitalismo contemporâneo, os donos do poder são os que controlam as grandes corporações. Para realizar o objetivo de aumentar ainda mais a riqueza e o poder, essas corporações precisam exercer controle sobre as pessoas, de modo que elas façam o que lhes interessa. Como as sociedades contemporâneas deixaram de ser totalitárias, esse controle não pode ser exercido pela força. Mas ele se exerce de um modo bem mais sutil e eficiente, através da mídia. As corporações são quem paga a grande mídia, que vive de seus comerciais, fazendo com que as notícias sejam filtradas e manipuladas de maneira a controlar o pensamento das pessoas. A mídia nos torna vítimas de uma lavagem cerebral diária, que sistematicamente distorce e simplifica o entendimento que temos do mundo em que vivemos... Finalmente, as corporações estão por trás dos políticos, financiando suas campanhas, etc.
     Uma peça essencial na tarefa de fazer a cabeça das pessoas são os intelectuais. Ao contrário do que se possa imaginar, segundo Chomsky eles quase sempre estão a serviço do poder. Como ele notou, em situações de crise foram raros os intelectuais que não apoiaram o governo, e os poucos que ousaram levantar a voz foram encarcerados ou mortos, como no caso de Bertrand Russell, preso durante a primeira guerra, na Inglaterra, e Rosa Luxemburg, assassinada na Alemanha. Como resultado do constante martelar das informações pela mídia, as pessoas passam a apoiar aquilo que interessa aos donos do poder, aderindo de modo não-crítico às suas políticas.
     Para Chomsky nós não vivemos hoje em democracias no sentido pleno da palavra. O cenário por ele descrito algo parecido com aquele apresentado por George Orwell em 1984, no qual as opiniões e ações das pessoas eram manipuladas sem que elas percebessem. Só que através de mecanismos de dominação muito mais sutis e complexos. Os Estados Unidos é um dos países menos democráticos que existem, sugere Chomsly, pois nele uma oligarquia constituida pelos 3% das pessoas com as quais se concentra mais da metade dos ganhos, ou seja, empresários, executivos, banqueiros, especuladores, intelectuais, é quem escolhe e apoia os políticos que trabalham a seu favor e que controla, através da mídia, o pensamento da maioria da população, que uma vez a cada quatro anos tem o direito de ir às urnas escolher entre alternativas pré-determinadas. Chomsky sugere que a Bolívia seja o país mais democrático do mundo, pois colocou na presidência Evo Morales, um índio cujos interesses se identificam com os do povo. Mas qual seria o caso da Venezuela? Aqui temos mais um exemplo de mentira martelada na cabeça das pessoas pela mídia brasileira, inclusive por intelectuais como Arnaldo Jabor. As notícias são de que Hugo Chaves está levando a Venezuela ao totalitarismo e ao desastre econômico com uma inflação de 30%. Mas ninguém informa que a Venezuela também é o país do mundo que teve maior aumento de IDH nos governos de Chaves, reduzindo pela metade a porcentagem de pobreza. Chaves foi taxado de antidemocrata por não ter renovado a licença de um canal de televisão pertencente à oposição. Mas o fato é que esse mesmo canal estava escandalosamente envolvido no golpe de direita que por alguns dias o sequestrou. Imaginem, observa Chomsky, que nos Estados Unidos haja um golpe de estado: a Casa Branca é invadida, o presidente é sequestrado e um canal de televisão se encontra envolvido... Nesse caso, não somente o canal será fechado... mas os responsáveis serão encarcerados e provavelmente condenados à pena máxima! Contudo, as pessoas não estão acostumadas e julgar os lados opostos pelos mesmos standards.
     Os efeitos dos mecanismos descritos são muito mais pervasivos do que se possa imaginar. Eis alguns exemplos atuais apresentados por Chomsky em conferências. O Irã é hoje um país mais aberto do que a Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos. Não tem um histórico de envolvimento em guerras. Se deixado em paz acabará retirando o poder dos Aiatolás. A chance do Irã iniciar uma guerra nuclear, segundo analistas militares americanos, é de 1%. Mas os Estados Unidos insistem em promover sanções econômicas que apenas protelam a abertura do regime e a mídia norte-americana o demoniza. Afinal, os Estados Unidos não tem controle sobre esse país, que por possuir petróleo é estrategicamente importante.
     Vejamos agora o lado oposto, o de Israel. Esse país possui secretamente mais de uma centena de armas nucleares, capazes de pulverizar o oriente médio em questão de minutos. Mas a mídia não discute o assunto e ninguém insiste em fazer uma inspeção nos vários locais de Israel onde, como é perfeitamente conhecido, o material atômico é processado. Israel é uma espécie de pequeno estado norte-americano, um estado criminoso, aliás, por manter um gueto com mais de três milhões de prisioneiros – o povo palestino – condenados a uma vida miserável e sem opção. Mas Israel tem um fortíssimo Lobby no congresso norte-americano e uma indústria de propaganda que se encarrega de fazer as pessoas perceberem os palestinos que se rebelam na região ocupada como se fossem agressores fanáticos contra os quais Israel precisa se defender. No final, através de sua política agressiva (a Esparta do oriente médio) Israel age contra os interesses dos Estados Unidos e se pensarmos bem no frigir dos ovos contas contra os interesses de seu próprio estado.
     Outro exemplo é a guerra no Afeganistão. O Al-Kaida se dispersou, a maioria das pessoas que participaram do ataque terrorista ao World Trade Center eram provenientes da Arabia Saudita... Contudo, os Estados Unidos e seus aliados insistem em manter o país sobre ocupação com um governo fantoche corrupto, ligado ao tráfico de drogas e odiado pela população, acreditando que isso irá reprimir o terrorismo potencial. Na TV alemã ouço que se os aliados abandonassem o país haveria um banho de sangue produzido pelos Talibâs... Mas isso é uma desculpa, pois sairia mais barato oferecer asilo às pessoas que se opuseram aos Talibâs do que continuar gastando milhões de dólares em uma guerra insana que já matou muitos milhares de pessoas. E é contraproducente, posto que a melhor maneira de acabar com o terrorismo é acabar com o intervencionismo.
     O maior problema, segundo Chomsky, é que o domínio dos interesses econômicos de poucos, aliado à indústria cultural montada em cima deles, costuma produzir o que se chama de externalidade. Explico: se você e eu interagimos apenas em interesses próprios, como ocorre no sistema capitalista, isso costuma ter efeitos imprevistos para os outros ao redor. Chomsky apresenta como exemplo o acordo do NAFTA. A maioria da população dos Estados Unidos e do México era contra. Mas o acordo foi assinado, demonstrando-se lesivo aos interesses da maioria da população de ambos os países, por aumentar o desemprego e só favorecer os interesses de uns poucos. Ou seja: as estratégias político-econômicas costumam ser desenvolvidas pelas elites e para as elites, com o cuidado de produzir na maioria da população a ilusão de que a coisa está sendo feita no interesse de todos.
     Isso tem sido claro nos Estados Unidos nos últimos trinta anos. A política da suspensão do controle da economia pelo estado só produziu estagnação no que concerne aos interesses da população. Assim, é fato bem conhecido que nos últimos trinta anos 80% da população norte-americana, além de não ter aumentado os seus rendimentos, tem sofrido uma diminuição na qualidade de vida, apesar de os poucos que dominam o país se encontrarem hoje mais ricos do que nunca. A crise econômica de 2008, provocada pela excessiva desregulamentação da economia, é um exemplo. A política militar desastrosa é outro. Metade dos gastos militares do mundo são feitos pelos Estados Unidos, cujas dívidas com a China e o Japão se escalam hoje a um nível impressionante. Sustentar uma política imperialista quando isso já deixou de ser razoável é exatamente o que o presidente Obama tem feito. Sobre isso Chomsky adverte que a Alemanha da década de 1920 tinha uma democracia parecida com a americana e que os desastres sociais junto com as respostas fáceis e enganosas fornecidas pela propaganda e apoiadas pelas elites econômicas foi o que precipitou a ascenção do Nazismo. Este, porém, acabou escapando do controle dessa mesma elite e os seus resultados acabaram sendo desastrosos para todos. Esse é o mais sério exemplo de externalidade que conheço.
     Em resumo: onde as decisões pretensamente democráticas são secretamente dirigidas pelos interesses do capital, o sistema é como um todo irracional – e o sono da razão, como disse Goya, produz monstros. A conclusão mais importante de tudo isso parece ser a de que uma verdadeira democracia só é possível em uma sociedade socialmente justa.
     Minha intenção ao escrever isso foi apenas a de informar. Não sou conhecedor do assunto. Apenas penso que se essas idéias forem verdadeiras – como acredito – então elas são de real importância.

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Se você quiser se informar melhor, sugiro começar com vídeos do youtube como:

     Manufaturing Consent
     e
     The Corporation

Além dos inúmeros vídeos de Chomsky e alguns de Michael Moore. Sketches da estória você encontra em

     George Carlin American Dream

     José Saramago – Falsa Democracia

E o informativo documentário sobre o golpe fracassado contra Hugo Chaves vale a pena assistir:

     The Revolution will not be Televised
     (este último também no google videos).

Sobre as mentiras da guerra no Iraque há um documentário de John Pilger intitulado:

     The war you don’t see

Interessante é também Chris Hedges e Sheldon Wollin, o último com sua teoria do totalitarismo invertido, Enquanto no totalitarismo tradicional o lider decidia sobre a economia (ex Stalin) no totalismo invertido as oligarquias economicas decidem o que os lideres devem decidir em desprezo do povo:

   Chris Hedges: The pathology of the super-riches


      A isso eu adicionaria os muitos documentários do excelente comentarista político Peter Scholl-Latour (infelizmente em alemão). Nesses documentários ele viaja pelo mundo avaliando os acontecimentos. Exemplos:

     Weltmacht im Treibsand
     Russland im Zangengriff
     Ende der weissen Weltherrschaft
     Die neue Achsen der Macht
     Peter Scholl Latour berichtet ueber den Vietnam Krieg

Esses vídeos para mim apenas reforçam o ponto de vista defendido por Chomsky. Há também livros como The Essential Chomsky (New Press, 2008), que você pode importar pela Amazon.com.

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OBSERVAÇÃO (1912):
Hoje, dois anos depois, vejo o que escrevi acima de um modo que demanda qualificações. Lula, por exemplo, teve a sorte de chegar ao governo em um contexto econômico favorável aos países da América Latina, em geral com desenvolvimento até maior do que o do Brasil no período. Seu partido foi em medida menor do que a mídia pretende conivente com a corrupção e as tentativas de interferir na política internacional foram ridículas.
     Há alguns exageros populistas em Chomsky, por exemplo, dizer que o Irã tem razão em prevenir-se nuclearmente contra Israel, pois não há termos de comparação entre um estado totalitário que mal saiu da Idade Média, como o Irã, e Israel. Outro ponto é que nem todo o mundo subdesenvolvido teve o destino da Somália. Países subdesenvolvidos também lucraram enormemente com a tecnologia criada por países de primeiro mundo e que agora está sendo transferida; sem isso estaríamos hoje na selva caçando animais a tacape. Pode-se argumentar que se não houvesse um monopólio dos países desenvolvidos no que concerne ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia, países como o Brasil não seriam inibidos no desenvolvimento de ciência e tecnologia próprias... Mas é extremamente difícil avaliar a verdade dessa suposição. Seja como for, convém notar que a cultura de massas não é tanto uma imposição alienadora que vem de cima, da corporação, do establishment, do complexo industrial... como parecem ter acreditados neo-marxistas como Theodor Adorno. Há muito de conivência implícita nisso e me parece que a auto-alienação é a regra no sistema de defesas normal dos seres humanos normais. Aqui eu prefiro a explicação mais realista de Dostoievsky no famoso capítulo de Os Irmãos Karamazov, onde o grande inquisidor defende que as mentiras da igreja secular são um mal necessário, capaz de proporcionar às pessoas uma réstia de felicidade terrena, mesmo que ao preço de ilusão e injustiça... Contudo, essa explicação parece nos levar à crença na sabedoria das multidões... Parece que foi Marx quem disse que não se pode apressar a história.

 OBSERVAÇÃO (2013):

Expressões como 'classe trabalhadora' e 'classe burguesa' são ideologicamente viciadas. Vou chamá-las respectivamente de classes mais populares e classes mais instruídas (a existência das últimas é um fato inegável, sejam quais forem as causas). Acredito mais no zig-zag histórico do lado certo e do errado do que na submissão de uma classe a outra. Sociedades minimamente complexas sempre possuíram diferenças de classe. É assim que funciona. Se considerarmos a história veremos que há períodos históricos nos quais as classes populares tinham mais razão, como no reinado de Luis XVI, enquanto há outros períodos nos quais as classes mais instruídas é que foram injustiçadas, por exemplo, na União Soviética do período stalinista, quando ser uma pessoa instruída implicava em permanente risco de vida. A primeira situação requer uma virada liberal-socializante, a segunda uma virada mais, digamos, conservadora. No Brasil, considerando o tipo de sociedade que temos, somos muito facilmente levados à conclusão maniqueísta de que as classes populares sempre tem razão e que as classes dominantes (algo mais instruídas) nunca podem ter razão.

OBSERVAÇÃO (2015):
A campanha política das últimas eleições no Brasil foram mais um exemplo da força da midia para dirigir o eleitorado segundo o que oligarquias acreditam que irá satisfazer melhor seus interesses. Quase conseguiram. Para me informar fiz uns 1000 amigos do PT no Facebook, que evidenciavam a "falta de estrutura" (eufemismo que saiu no Suddeutsche Zeitung) do político que se opunha à Dilma. Dessa vez tivemos sorte... E depois assiti no Youtube os depoimentos do editor da revista "Retratos do Brasil" mostrando que o julgamento do Mensalão foi político e destituido de qualquer base factual.
 O problema é mundial. Há pouco encontrei em Paris um livrinho muito claro, crítico em relação aos políticos e à politica da Comunidade Européia, destinada a privilegiar o capital a qualquer custo. O título diz tudo:

Jack Dion: Le mépris du people: comment l'oligarchie a pris la société en otage


 Mas, como disse Bukowsky, "politics is like to fuck a cat" e me sinto perdendo tempo ao escrever sobre o assunto.


MAIS UMA OBSERVAÇÃO (2015):

Acabo de mudar de opinião. Claro, existe o PIG, a justiça pode não ser neutra, a corrupção ocorre em todos os partidos e no Brasil inteiro. Sei disso. Outro dia em um avião me sentei ao lado de um italiano que havia estudado economia e ficou me falando que falta o livre mercado, a mão invisível por aqui. Depois assistindo mais no Youtube ouvi algo importante, também de economia. Que o desenvolvimento é a capacidade de gerar riqueza, mas que aumentar o salário mínimo não torna a pessoa que recebe capaz de gerar riqueza. E aí começaram a ficar claras as causas da crise brasileira atual: o governo investiu demais e investiu mal. Um jornalista arguto notou que a Dilma não acredita no capitalismo. E a Dilma, todos sabem, se cercou de pessoas pouco competentes, O governo investiu em si mesmo se agigantando. Não privatizou coisas que poderiam ser privatizadas. Inventou coisas desnecessárias como o programa "Minha casa minha vida", clientelista e para a pequena classe média etc. (ouvi falar de um político que comprou 100 casas para alugar no futuro). E o Lula tornou a dívida externa interna, o que a aumentou ainda mais e apenas pareceu resolver o problema. E ainda se deixou de fazer o mais essencial, cuidar da educação básica, da saúde pública, da segurança, coisas que são obrigação do governo mais libertarista que você imaginar, isso em mais de 12 anos de um governo dito social-democrático. E o Lula só tem um discurso: acabar com a fome e a miséria... Esqueceram da indústria, que é o motor de tudo isso, e tinham pouca consciência do fato de que a economia globalizada está em constante competição. Se a coisa continuar nessa direção esse país terminará na rabeira da história. Ou seja: o problema não é corrupção não, mas INCOMPETÊNCIA pura e simplesmente. Seria o caso de impeachment? Pela lei não, mas deveria haver uma lei que demandasse impeachment a qualquer governo federal ou estadual ou municipal que chegasse a menos de 10% de aprovação.
Se pensarmos assim e houver um impeachment isso pode querer dizer que foi algo meio esquivo judicialmente, mas que pode ser bom para o país em termos factuais, pois possibilitará uma nova eleição, quem sabe daí surgindo uma liderança mais competente, espero que não pior.


Isso tudo o que disse é meramente factual e nada tem de filosófico. Mas faz com que eu me pergunte se a ideologia falsa não pode por vezes ter um papel positivo. Seria os EUA o que é o que se tornou, um país com incomparável desenvolvimento tecnológico, se não tivesse acontecido o que Chris Hedges notou, a invenção durante a Primeira Guerra de uma máquina de propaganda que atoleimou o povo?  A mentira vital, ou seja, voltando a Dostoiewsky e ao grande inquisidor, algo necessário para que o sistema funcione? Nesse caso Chomsky pode estar falando a verdade, mas não é da verdade que as pessoas precisam. Trazendo isso para o caso do Brasil, o esgotamento do PT não está sendo combatido com a verdade, ou seja, observações sobre uma condução incompetente da economia e da política (sem dúvida nos últimos anos), mas com a mentira vital, ou seja, a desculpa da luta contra corrupção e coisas do gênero, na verdade simples desculpas e algo que de alguma forma, talvez inconscientemente, os políticos sabem que são simples desculpas, mas que no final das contas podem fazer as coisas darem certo. Pois se a economia não dá certo nada mais dá certo e algumas pessoas sabem disso, sabendo que não se faz política sem se sujar as mãos. Não digo que não foi bom. Mas parece que acabou. É o zig-zag da política. E o resto é ingenuidade.




MUDEI MAIS AINDA DE OPINIÃO


Tenho a impressão que o Brasil não tem desenvolvimento ético-social nem econômico, nem a espécie de homogeneidade cultural que suportaria uma social-democracia do tipo escandinavo, que me parece o ideal. Não dá para saltar etapas. Também nada temos do altruísmo social da cultura oriental, coisas como a Coréia do Sul, que depois de uma guerra que tornou o país miserável teve condições de se desenvolver com um governo autoritário, voltando o estado para o desenvolvimento industrial sem bloquear a iniciativa privada. A classe política aqui é em geral uma tristeza para qualquer lado que se olhe. O país é viciado em estado desde o tempo colonial. Sabemos que Pedro II, um monarca responsável, percorria o país em lépido sua carruagem na ânsia de resolver os problemas e a segunda metade do século XIX que, segundo consta, foi de grande desenvolvimento. Em nosso tempo tentou-se primeiro o capitalismo de estado de direita, teve o primeiro milagre econômico que desandou em estagnação. Tentou-se então o capitalismo de estado de esquerda, deu certo por algum tempo, parecia mais um milagre que hoje parece estar pondo a pique o país inteiro para além da fossa das Marianas. Estamos sempre a espera de um milagre no país da ilusão. Por que não tentar o que nunca existiu por aí? Capitalismo? Esperar que o progresso venha pelo livre mercado, pela livre concorrência produtora de valor. Vender a Petrobrás, o Banco do Brasil, Correios, as estradas e essa coisarada toda. Pois o que importa não é quem comanda, que pode precisar de psicólogo ou ter um enfarto, nem os acionistas - que ninguém sabe quem são - mas quem lá trabalha. Pois como empreendedor o governo é um mau gestor porque não tem concorrentes, uma vez que basta imprimir dinheiro para não ir à falência, faz dívidas e se transforma em um explorador do patrimônio público e do cidadão. Assim, um governo mínimo mas suficiente, desburocratizado, cuidando da proteção do cidadão, da educação, saúde, incluindo mesmo um salário desemprego seria a terceira alternativa. Poderia com isso se resolver o problema endêmico da corrupção, que é sobretudo gerada no ventre desse mastodonte incompetente chamado governo. Eis porque vejo no Partido Novo a proposta mais razoável. Se o país já é um Mohagony, é melhor que seja como Hong-Kong. Mas pode ser que tudo isso seja outa história com a nova crise econômica mundial que parece estar vindo por aí. 



PS: Agora leio Veja outra vez e os informes da PRAGER UNIVERSITY de Dennis Prager, um republicano..Me candidato a ser a pessoa que mais rapidamente muda de opinião em política.

2017 (diferente de tudo o que escrevi acima):





PORQUE SOMOS TÃO POBRES
Lamento, mas após ler um pouco de economia política cheguei à conclusão de que o Brasil não tem desenvolvimento ético-social nem cultural nem econômico para uma social-democracia liberal do tipo escandinavo. É necessário lembrar que essa social-democracia é um subproduto do capitalismo de livre mercado defendido por Adam Smith e depende do último. Eles primeiro ficaram ricos, depois instituíram social-democracia, depois esqueceram disso e começam a se ver em dificuldades. Além disso, essa mesma social-democracia só funcionou devido à grande homogeneidade cultural e a valores culturais que ainda são insipientes em um país como o Brasil. Valores civis importam. A sociedade civil no Brasil é minoria. A coisa é cultural. Nenhum país de cultura islâmica, por exemplo, conseguiu sequer democracia – quem dirá social-democracia. Não dá para queimar etapas. E a social-democracia seria disfuncional se tentada nos EUA, como a recente história tem mostrado.
Também nada temos do altruísmo social da cultura oriental, coisas como a Coréia do Sul, que depois de ter sido completamente devastada pela guerra teve condições de se desenvolver, com um governo inicialmente autoritário, voltando o estado para o desenvolvimento industrial sem esmagar a economia privada como o nosso inepto governo tem feito. O que aconteceu por lá foi um milagre com apoio Americano.
 Para dar exemplos, ouvi dizer que em 2015 uma bicicleta de dois mil reais era taxada pelo governo brasileiro em mil reais e que empresas brasileiras foram para o Paraguai para se livrar dos impostos e agora vendem para o Brasil. Exceto as escolhidas pelo governo, que passava leis que as protegiam.
A classe política Brasileira é em geral – mas nem sempre – decepcionante, para qualquer lado que se olhe, tanto em termos éticos quanto em competência. E em termos éticos eles não tem nem sequer tanta culpa assim, pois vivem no interior de um sistema intrinsecamente perverso.
O país é viciado em estado desde o tempo colonial. Pessoas inteligentes de classe média buscavam algum cargo como funcionários públicos. Um exemplo foi Machado de Assis. Mas os tempos mudaram.
Sabemos que Pedro II, um monarca responsável, percorria o país lépido em sua carruagem na ânsia de resolver os problemas. Segundo um historiador que li, o Brasil seria hoje um país desenvolvido se tivesse continuado se desenvolvendo como na segunda metade do século XIX. Não sei!
Mas era ingenuamente liberal, liberal demais para a época, errando, criou condições para o golpe militar que instaurou uma democracia de fachada, sem consulta popular. A herança Varguista - um pouco como o Peronismo na Argentina - é no mundo atual mais um lastro ultrapassado, como o Lulopetismo, se é que é possível comparar.
Ora, seguindo a tradição do governo-maternal em nosso tempo tentou-se primeiro o capitalismo de estado de direita, a chamada ditadura militar, que teve o primeiro esperado milagre econômico que acabou abrigando corrupção e desandando em estagnação.
Tentou-se então o capitalismo de estado de esquerda, inspirado em um pouco de Gramscismo e Marxismo-Leninismo infantil. Ajudou um pouco pro questão de sorte, em grande parte devido à conjuntura internacional favorável (que fez outros países da América Latina se desenvolvessem mais do que o Brasil) e à estabilidade financeira conseguida pelo governo anterior e a alguma ousadia. Parecia outra vez que lá vinha o milagre, mas que hoje está quase ponto a pique o país inteiro mais fundo do que a fossa das Marianas.
O Brasil não tem sido o país do futuro, mas o país da ilusão. Como alguém disse: o país que não cuida da educação do povo não sabe o preço que isso pode custar. A esquerda cuidou da educação universitária, como se isso fosse promover um milagre, talvez por aumentar votos pelo auxílio de professores influentes. Mas esqueceu-se do essencial, a educação básica, na qual o aluno aprende a aprender – afinal crianças não dão votos. O resultado foi mais de trinta por cento de analfabetos funcionais nas universidade federais.
Daí surge a pergunta: por que não tentar o que nunca existiu por aqui? Capitalismo de verdade? Honesto, sem monopólios, desburocratizado? Esperar que o progresso venha principalmente do livre mercado, do que Adam Smith chamava de “a mão invisível” da livre concorrência produtora de valor, que premia o bom empreendedor e leva a falência o mau, e que se bem conduzida por um pequeno governo não lhes cobre taxas sufocantes e que impeça monopólios, produzindo através dessa competição progresso e um aumento geral da riqueza. A Microsoft é resultado disso, tanto quanto o McDonalds.
Cobrar menos impostos, diminuir a burocracia, fazer as reformas necessárias, vender a Petrobrás, o Banco do Brasil, os Correios, aeroportos, estradas, essa coisa toda! Quanto à universidade pública, onde trabalho, vamos com mais calma. Sugiro que alunos sem condições de pagar não paguem. Que alguns recebam bolsas. Quanto aos que tem condições, que paguem. E quanto ao número de alunos, este poderia ser reduzido pela metade sem perda alguma.
Note que não estou pensando em Estado Mínimo como nos EUA. Lá há riqueza, mas o nível de stress também é grande e muitos não conseguem resistir à pressão competitiva. Países como Brasil e França tem cultura própria e o tamanho do livre mercado pode ser calibrado de acordo com demandas culturais específicas. O que não funciona é o mega-estado que cuida de tudo menso do principal e que inoperante esmaga a economia produtiva, como ocorreu por aqui.
   O caso dos EUA serve de exemplo. O país começou com socialismo: um por todos e todos por um, terras divididas. Não deu certo porque os que trabalhavam, sabendo que ganhariam a mesma coisa deixaram de trabalhar e o resultado foi um fracasso. Depois, na primeira metade do século XIX o governo tentou intervir com veleiros, viagens internacionais, código morse, por ele monopolizadas. Resultado: prejuízo. Afinal, o governo não tem competidores. Então descobriram a pólvora. O governo ficaria apenas com os serviços essenciais, como segurança, educação básica, defesa. Na segunda metade do século XIX o governo cobrava apenas 3 a 5 % de impostos (ao invés dos nossos de mais de 40%. O resultado foi um florescimentos explosivo da iniciativa privada (Friedman). As ferrovias tinham uma diversidade de donos que competiam entre si baixando os preços. E essa é a razão pela qual os EUA é um país rico enquanto o Brasil é um país pobre. Nós nunca descobrimos o que é capitalismo. Nós apenas recorremos a ele, um pouco envergonhados.
Enfim, continuar acreditando no patrimonialismo anti-meritocrático, entre nós um fetichismo ingênuo, tolo e verificado como destrutivo e perverso em todos os exemplos históricos. É como dizer que a Amazônia é nossa. Mesmo que a internet produza mecanismos de transparência absolutos, a falta de competição não diz às empresas estatais como melhorar de verdade. Produzem-se melhoras de faz-de-conta ou incompetentes, como a biblioteca virtual do CNPq, na qual não encontrei sequer a Philosophical Review, que é vista como a melhor revista filosófica do mundo.
Além disso não tem nenhuma importância quem é o pobre do empresário – que se arrisca a enfartar – nem os acionistas – que ninguém sabe quem são – mas quem trabalha nessas empresas. Assim, uma multinacional é bem-vinda, pois produz empregos e dá as pessoas condições de ascender.
 Depois, como empreendedor o governo é um péssimo gestor do ponto de vista econômico porque – como Mises e Hayeck notaram – não é capaz de saber o que é do interesse de cada um dos agentes econômicos e por conseguinte age como um investidor míope. Os descalabros da economia soviética foram provas cabais disso. Da Venezuela à Cuba, da URSS à Coréia do Norte e ao Laos, temos visto provas de que o governo dirigista pode ser bem pior do que míope: pode se tornar genocida.
Afora isso ele não é controlado nem tem concorrentes, uma vez que basta imprimir dinheiro para não ir à falência, se atola e nos atola em dívidas de forma irresponsável e ainda, como vimos, explora essas empresas estatais em detrimento do cidadão pagador de imposto. A burocracia estatal se deixada livre cresce como um câncer e a corrupção se segue como consequência natural.
 Assim, um governo mínimo mas suficiente, adaptado à cultura do país, cuidando da segurança, da escolaridade e educação, mesmo em nível superior, saúde, incluindo um salário desemprego e nada mais, me parece a alternativa realista em termos da mentalidade brasileira – um país em que se plantando tudo dá.
Poderia com um pouco disso até se resolver o problema endêmico da corrupção, que é sobretudo gerada no ventre desse mastodonte inepto, perdulário e promíscuo chamado governo.
Eis porque vejo em algo como, digamos, o pequeno Partido Novo uma proposta razoável. Eles perceberam o ponto crucial. Se somos por natureza uma Mohagoni, que seja mais do tipo Hong-Kong, que pela sábia orientação inglesa se tornou um dos lugares mais ricos do mundo, décimo segundo em IDH, acima da Inglaterra, da França e da Alemanha.
Cheguei a essa conclusão ao tentar entender a crise de 2015 e diante dos escândalos que vieram à tona. Fui ler um pouco de economistas como Friedman, Hayeck e von Mises e percebi os riscos do Keynesianismo. Marx é um clássico, mas não era um economista profissional e em seus devaneios em muitos pontos trocou os pés pelas mãos. Por exemplo, Mises notou que não é o trabalho que produz valor, desfazendo a ideia de mais-valia. O que produz valor é aquilo que o consumidor está disposto a pagar. Uma pessoa pode passar anos construindo uma máquina, devotando para isso um imenso trabalho, mas pode ser que ninguém veja nessa máquina utilidade alguma, e portanto essa máquina não tem valor. Outra coisa que Mises notou é que as terríveis condições dos trabalhadores no início da revolução industrial não eram tão terríveis como Marx descreve. A vida no campo era segundo Mises ainda pior. E Friedman notou que um operário tinha uma vida melhor do que um soldado romano. Mais ainda, as condições miseráveis do trabalhador durante a revolução industrial começaram a melhorar para o final o século XIX, razão pela qual se deixou de acreditar em uma revolução Marxista na Inglaterra, contrariamente ao que previra Marx. Lênin inventou então a falácia do Marxismo-Leninismo.
Política é o domínio do provável, mas imprevisível. Pode ser que amanhã tudo se torne diferente. Não creio, pois estou falando de uma realidade que se formos ver com cuidado já existe há milhares de anos.







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